Junta de Freguesia de Praia de Mira Junta de Freguesia de Praia de Mira

História

                                          

A origem da Praia de Mira remonta, segundo os primeiros registos e documentos aos princípios do século XIX e os seus primeiros habitantes terão sido pessoas vindas de Ílhavo, Ovar, Murtosa e de algumas das povoações das redondezas. Durante a Primavera e o Verão, quando o tempo aquecia e o mar era em geral mais propício à faina da pesca, "vinham alguns grupos de indivíduos dos mais diversos lugares do interior que, quer pelo incómodo que representavam as suas deslocações , quer pelas próprias condições elementares de transporte da época, foram-se a pouco a pouco instalando no local entre 1835 e 1870, onde a sua estadia passou a tornar-se permanente" (Raquel Soeiro de Brito - "Palheiros de Mira"). "Além dos pequenos palheiros, habitações temporárias destes pescadores que gradativamente ali se foram sedentarizando, outros se foram construindo, pertencendo na sua maioria a indivíduos abastados de diversos lugares do interior - Mira, Cantanhede, Coimbra, ect. - que só temporariamente os habitavam durante o período de férias, de Maio a Setembro" (João Frada - "Praia de Mira").

Paralelamente com a pesca artesanal, mais concretamente a arte de Xávega, (embora com algumas alterações , ainda hoje se pratica) que constituía o principal meio de subsistência dos habitantes, cada família cultivava também, para complemento do seu sustento, pequenas parcelas de terreno. As areias estéreis das dunas foram fertilizadas com o moliço retirado da barrinha e com montes de peixe miúdo e caranguejo que, devidamente misturados com o estrume do gado, eram espalhados na terra, constituindo assim um adubo natural que tornou estas terras produtivas.  Além do Regente Florestal Manoel Alberto Rei, grande responsável pela drenagem dos pântanos, consolidação das dunas e plantio das matas, destaca-se o Professor Pinho e o Orlando Saborano (autodidacta e livre pensador, auto de inúmeros poemas alusivos a esta terra), bem como algumas figuras típicas, tais como o "Pumpa", o "Zé Neto" e o "Samuel Rabita". Conta-se Várias histórias de Bruxas e de Lobisomens.

A Arte Xávega e a Evolução Comunitária 

O coração da nossa identidade bate ao ritmo da Arte Xávega, o tradicional método de pesca de cerco com barcos em forma de meia-lua e redes arrastadas para terra. Antigamente amparadas por juntas de bois e hoje por tratores, estas redes continuam a trazer o peixe fresco e a atrair olhares de admiração. 

Em 1951, a povoação adotou oficialmente o nome atual de Praia de Mira. O crescimento populacional e a relevância socioeconómica ditaram a criação da Freguesia em 1984 e a sua posterior elevação à categoria de Vila em 1995. 

Um Ícone de Excelência Ambiental 

Hoje, a Praia de Mira é reconhecida internacionalmente. Detém o título único de ser a única zona balnear do Mundo a ostentar a Bandeira Azul consecutivamente desde a sua criação, em 1987. 

Aliando a tradição piscatória à preservação da Barrinha e do seu cordão dunar, a freguesia afirma-se como um território sustentável e acolhedor para residentes e turistas. 


FESTAS E ROMARIAS

Festa em honra da Na Sra da Conceição: Realiza-se na Praia de Mira, no dia 8 de Dezembro, tendo uma duração de cerca de 5 dias. Tem a particularidade de, no final da procissão, se fazer a benção do mar.

Festa em honra do Sr. dos Aflitos: realiza-se na Barra de Mira, no segundo fim de semana de Setembro, tendo uma duração de 4 dias. Note-se que esta festa, na sua origem, realizava-se no mês de Outubro,

na época em que os pescadores à linha regressavam da pesca do bacalhau. 

Festa do Pescador: Realiza-se na Praia de Mira, no dia 31 de maio, tendo uma duração de cerca de 3 dias. Tem a particularidade de, os andores serem transportados nas barcas típicas pela barrinha até ao centro, onde se realiza a missa campal. 

Carnaval: festa móvel. Desfile de carros alegóricos da comunidade e também de algumas colectividades vizinhas.

S. João: dia 24 de Junho. Desfile de marchas populares dos vários bairros da Vila. 

Mostra gastronómica: realiza-se em Setembro. Nas tasquinhas situadas no jardim central podem ser apreciadas as iguarias típicas da região.


DANÇAS REGIONAIS

As danças típicas da região são "O Vira Gandarez", "O Vira do Pescador" e "As danças de Roda". A primeira é um vira de roda e a segunda é um vira de coluna. Ambas se dançavam em dias de romaria. Quanto à terceira, "As danças de roda", dançava-se na eira, na época das desfolhadas. Qualquer uma destas danças se reporta ao 1o quartel do século XX e hoje são exibidas em festas locais e um pouco por todo o país devido ao intercâmbio existente entre as associações.


CANTARES REGIONAIS

Assim como foram diversas as origens dos primeiros habitantes desta terra, também são diversos os tipos de cantares. "A Ceifeira" e "A Morena" são cantigas alusivas às atividades rurais e eram cantadas em dias de festa, sobretudo no dia da Sra. da Saúde. Nesse dia os moliceiros partiam do cais do Areão rumo à Costa Nova onde se ia assistir à procissão da Senhora da Saúde, padroeira daquela localidade.

"Ó Linda Praia de Mira" e "Praia de Mira, Linda Princesa Encantada" são duas das cantigas que retratam as belezas desta terra e deste povo. Cantavam-se cantam-se ainda hoje em festas e convívios. 


TRAJES MAIS CARACTERÍSTICOS

Traje de pescador: calças de flanela lisa ou com listas ao alto, camisa de flanela e riscada

Traje de mulher: avental e saia negra, rodada, cinta preta blusa de chita, lenço e xaile preto. Algumas usavam chapéu de gandarêsa (chapéu preto, em feltro com penacho da mesma cor. Sem abas. Estes trajes foram de uso corrente até ao fim da década de 60. Actualmente ainda se vêm algumas mulheres idosas a usá-los.

Traje de arrais de terra: camisa e camiseta de flanela xadrez, ceroulas de xadrez, barrete preto e cinta preta. Tamancos pretos.

Traje de moliceiro: camisa ou camiseta, ceroulas ou calções de riscado, gorra preta e tamancos de apeação.

Traje de camponesa: saia e blusa de chita, avental riscado, lenço de cachená, chapéu gandarês e tamancas.


JOGOS TRADICIONAIS

Malha, jogado pelos homens aos domingos e dias santos, ainda é praticado.

Pião, bogalha (berlinde), bela-moira (jogo do eixo) e concha. Jogados pelos rapazes entre os 10 e os 15 anos. Jogavam-se aos domingos e feriados e nos restantes tempos livres.

Calha (macaca), prego, pedrinhas ou almofadinhas, cabra-cega e lencinho. Jogado durante os tempos livres pelas raparigas entre os 8 e os 12/13 anos.

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